Chocolate for future

por Clara da Silva Schlepper

A associação presente na embalagem do chocolate TUPINIQUEEN entre “Chocolate for Future” e “Fridays for Future”, movimento ambiental urgente iniciado pela jovem sueca Greta Thumberg, não consiste em ironia ou estratégia oportunista de marketing. 

Esta frase incorpora a informação primordial, ainda vastamente desconhecida, sobre o poder de transformação ambiental inerente á produção do chocolate, uma das maiores delicias da história da humanidade: proteger e criar florestas.

Para divulgarmos esta fantástica possibilidade de forma direcionada ao público alvo, nos propusemos a criar este delicioso chocolate TUPINIQUEEN, e com ele levantarmos a bandeira: é hora de focarmos nas soluções existentes e sermos consequentes! 

Você sabia que as árvores de cacau preferencialmente crescem protegidas sob a sombra de árvores maiores? A boa novidade é que o futuro já existe mas precisa de sua consciência prezado consumidor! Vamos libertar o futuro? 

A proposta do chocolate TUPINIQUEEN é o trabalho exclusivo com amêndoas provenientes desta forma natural de cultivo, sejam aquelas que que se desenvolvem sob o bioma da Mata Atlântica do Sul da Bahia, preservando a mata, sejam aquelas originárias das áreas reflorestadas em sistema agroflorestal nas regiões da Amazônia brasileira. Você conhecia esta informação? Você conhece algum outro chocolate com este compromisso ecológico? Começamos por isto com um chocolate próprio, mas nosso desejo é ampliar esta ideia para que futuramente muito mais chocolates sejam produzido sob este conceito de certificação “Chocolate for Future”. 

Gostaríamos de portanto, plantar esta semente no mundo do chocolate e despertar em vocês consumidores uma nova consciência. Já pensaram se esta informação viraliza? Imaginem o tamanho da transformação que poderia acontecer se os amantes do verdadeiro chocolate usassem como critério seletivo o processo de produção, antes mesmo de pensarem no paladar? Através de seu consumo responsável, a atual monocultura de mais de  95% da produção mundial de cacau, que serve sobretudo para alimentar umas poucas grandes multinacionais – tanto na área de processamento de alimentos, como na área de produção de adubos artificiais e agrotóxicos -, poderia ser iniciada uma revolução verde dentro da produção do cacau através dos cultivos agroflorestais – a mais doce revolução da história da humanidade!

Seguindo a perspectiva da sustentabilidade adotada na concepção do chocolate TUPINIQUEEN, outro aspecto essencial na qualificação de um chocolate for future é o da descolonização. Como sabido, os países fornecedores de matéria prima permanecem historicamente subdesenvolvidos, enquanto os países que fazem a manufatura acumulam riquezas. Para romper esta corrente colonialista e desequilibrada, nosso chocolate será manufaturado em sua origem, ampliando assim a cadeia de benefícios à região produtora através do aumento de ofertas empregos e do bem estar social.

Satisfazendo nossos pré-requisitos conceituais, éticos e qualitativos, este nosso primeiro chocolate TUPINIQUEEN, forasteiro da variedade Maranhão, raridade entre as espécies mundiais, é cultivado nas encostas da Serra do Ribeirão do Terto, município de Coaraci, Sul da Bahia, em área de Mata Atlântica preservada, cercada por espécies nativas e nascentes. O nosso produtor Henrique de Almeida adota práticas rigorosas de preservação ambiental e justiça social, garantindo os direitos trabalhistas dos colaboradores, bem como sua participação nos lucros. A manufatura realizada localmente também por Henrique, é outra importante contribuição na desconstrução desta injusta cadeia colonialista.

É o futuro. No presente. Vamos libertar o futuro?

TUPINIQUEEN

O nome TUPINIQUEEN é derivado do nome de uma tribo indígena que já vivia na costa do Brasil quando a Armada Portuguesa se dirigiu ao país em 1500: os tupiniquins.

Em análises culturais, a palavra tupiniquim é sinônimo de ‘brasileiro’ (Cinema Tupiniquim, Antropologia Tupiniquim, etc). Quem é familiarizado com a história do Brasil reconhece neste termo uma identidade mais forte para o povo deste país do que a denominação “brasileiro”, mera alusão ao primeiro produto de “exportação”, a madeira Pau-Brasil. 

Língua dos Tupiniquins

O tupi, língua dessa tribo, representava na época a quarta língua mais falada entre os habitantes nativos do continente sul-americano. O tupi tornou-se a língua franca do Brasil até ser proibido no século XIX, quando se estabeleceu o português europeu como o idioma nacional. Tupi também é o nome desta tribo e Tupi-ni-quim (Tupinikin, Tupinakis, Tupinanquis) significa “ramo dos Tupis”.

Tupi / Tupiniquim e a planta do cacau

Segundo históricos, o povo tupi é originário da bacia do rio Amazonas, ou seja, da mesma região aonde o cacau tem sua origem. Como eram nômades, migraram ao longo dos milênios para a costa. Nessa migração eles se estabeleceram no sul da Bahia e no Espírito Santo, ambas regiões aonde o cacau no Brasil cresce fora da bacia Amazônica.

A presença do cacaueiro nesta região é atribuída, entre outras hipóteses não cientificas, ao transporte das  águas do rio Amazonas para o mar.  Teriam os tupis, que praticaram agricultura-itinerante durante milênios, reconhecido a planta de suas regiões de origem e passaram a cultivá-la na nova região, sob a mata atlântica?

Perseguição e assimilação

Desde a chegadas dos europeus, o povo tupiniquim teve que lutar incessantemente ao longo dos últimos 500 anos pela preservação de seu território e de sua cultura. Apesar dessa luta incansável, em sua maioria resultou em batalhas perdidas. Ocupadas com a mera sobrevivência, a tarefa original das mulheres, em passar as novas gerações o conhecimento e simbolismo de seu povo, foram em grande parte perdidos com o tempo. Eles foram em sua maioria forçados à assimilação.
Hoje, em um número de cerca de 2.000, os tupiniquins sobreviventes ainda lutam pela sua existência como índios. Nos últimos 40 anos, sua resistência foi organizada principalmente por grupos de mulheres tupiniquins.

O nome do nosso chocolate TUPINIQUEEN presta uma homenagem a este povo titânico/incansável e sobretudo as mulheres TUPINIQUIM, as TUPI-NI-QUEEN, que, com firmeza e coragem, apesar de todas as arbitrariedades destes últimos séculos, lutam por seu povo e sua cultura.

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chocolate@tupiniqueen.com

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